Nasceu no Funchal há 41 anos. É filha de uma feminista e nos tempos livre gosta de treinar cães. Liliana Rodrigues é professora universitária e no Parlamento Europeu vai dedicar-se aos assuntos da Educação, do Desenvolvimento Regional e dos Direitos das Mulheres.

 

Ser filha de uma feminista determinou a forma como Liliana Rodrigues vê o mundo e a política. Foi muito cedo confrontada com casos reais de violência doméstica, que chegavam à associação de defesa dos direitos das mulheres, fundada pela mãe, na Madeira. “Lembro-me de sair de madrugada para ir buscar mulheres que tinham sido vítimas de violência e coloca-las nas casas de abrigo”.

 

“Europa deveria servir de exemplo para o resto do mundo”

 

As questões da violência doméstica, promete, vão estar na agenda, até porque nesta área a “Europa deveria servir de exemplo para o resto do mundo”. Reconhece que, no caso de Portugal, tem sido feito “um bom trabalho”, mas acrescenta que há muito ainda por fazer.

 

De Edite Estrela herda a Comissão dos Direitos da Mulher e Igualdades dos Géneros e o dossier sobre o alargamento da licença de maternidade das 14 para as 20 semanas. O relatório da ex-eurodeputada socialista tinha sido aprovado pelo Parlamento, mas nunca chegou a ter o consenso do Conselho e por isso a diretiva nunca viu a luz do dia. É um dos temas em que Liliana Rodrigues deverá vir a trabalhar.

 

“É preciso ter a visão do todo, para pensar o local”.

 

A eurodeputada madeirense fica também como membro efetivo na Comissão do Desenvolvimento Regional. A Madeira não escapou a uma grave crise económica e acredita que esta poderá ser uma forma de garantir que chegam alguns fundos à região. “Nesta altura precisamos muito desse dinheiro. Mas tal como a Madeira, precisam todas as regiões do país”.

 

Nesta Comissão vai cruzar-se com Fernando Ruas, eleito pelo PSD, e com quem já trocou impressões. “Simpatizámos um com o outro. Não digo que as nossas divergências ideológicas devem ser deixadas de parte, mas temos de arranjar consensos.”

 

Liliana Rodrigues assume-se como uma defensora do poder local, mas acredita que pensar o desenvolvimento e as políticas regionais exige que primeiro se definam as políticas regionais europeias. “É preciso ter a visão do todo, para pensar o local”.

 

Com a Madeira, quer manter a relação de proximidade, o que significa viajar para o Funchal todas as semanas. Uma forma de se manter também ativa na vida política do Partido Socialista da Madeira.

 

Defensora do sistema escolar profissional

 

Formada em Filosofia, Liliana Rodrigues é professora e investigadora na Universidade da Madeira. Nos últimos anos, foram também recorrentes as viagens ao Brasil para dar aulas de “Teorias Críticas e Ética”. Com a eleição para o Parlamento Europeu faz uma pausa na atividade docente, mas não na reflexão sobre o ensino. Fica como suplente na Comissão de Cultura e Educação. Uma área em que são principalmente os países que mandam.

 

“Eu não acho totalmente errado serem os Estados-membros a controlarem as questões da cultura e da educação, mas acho que devem existir linhas comuns”. A realidade, diz, mostra uma “Europa do sul menos qualificada” e uma “Europa central que apostou bastante na formação profissional”.

 

Liliana Rodrigues acredita que a Europa deveria afirmar uma “aposta clara” na formação profissional e escolar, por exemplo, através do reconhecimento de diplomas de formação profissional em toda a Europa.

 

“Eu tenho um hobby curioso. Gosto de treinar cães”

 

Liliana Rodrigues prefere Estrasburgo a Bruxelas, mas é na capital belga que passará a maior parte do tempo. Diz que o problema não é o frio, ao qual se habituou quando estava a fazer o doutoramento em Viena, na Áustria. O problema de Bruxelas, explica, é a instabilidade do tempo. Em compensação gosta do chocolate belga.

 

“Eu tenho um hobby curioso. Gosto de treinar cães e aqui não posso faze-lo”. Um passatempo que terá de ficar para os fins de semana, na Madeira, onde está ligada à Madeira Animal Welfare. Uma Associação responsável por recolher cães e gatos de rua, “esteriliza-los e devolve-los ao meio”. Em Bruxelas, deverá, no entanto, manter a rotina da natação.

 

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