'Emprego', 'empresas' e 'empreendedorismo'. Os eurodeputados defendem que a política dos três "E's" deve servir de base ao orçamento comunitário do próximo ano, a ser apresentado pela Comissão, em maio. Terá um montante de cerca de 145 mil milhões de euros.

O relatório aprovado esta quarta-feira em Estrasburgo determina a posição dos eurodeputados sobre quais devem ser as prioridades na canalização de fundos da UE. O documento, assinado pelo eurodeputado do PSD José Manuel Fernandes, sustenta que o novo orçamento, aliado ao plano de investimento proposto por Juncker (300 mil milhões de euros), deverá servir para alavancar a economia europeia e impulsionar a criação de emprego.

O documento aprovado por 484 votos a favor (188 contra e 36 abstenções), sublinha também que os fundos estruturais - a maior fatia nas despesas da UE, devem continuar a promover a criação de emprego, fomentando o crescimento, a competitividade e a inovação.

Presente deve estar também o incentivo ao empreendedorismo e à criação de startups, sobretudo tendo em conta que  99% do tecido empresarial europeu é constituído por PME's.

"Pretendemos que 2016 tenha como prioridade aquilo que designamos pelos três E: emprego, empresas e empreendedorismo. 
(...) Além dos três E, também temos os três S: o social, a solidariedade, a sustentabilidade", disse José Manuel Fernandes no debate em sessão plenária. 

Mas o novo orçamento, defende o Parlamento, deverá também reduzir as disparidades entre regiões, favorecendo as mais pobres. Por outro lado, terá de funcionar ainda como instrumento de solidariedade prestando assistência humanitária aos que precisam, "como é o caso da Ucrânia - e contribuir para a agenda mundial para o desenvolvimento pós-2015.", acrescentou José Manuel Fernandes, em Estrasburgo (França).

Posição contrária teve outro eurodeputado português que participou na sessão plenária. Miguel Viegas, do PCP, considera que a orientação dada pelo Parlamento Europeu está ao serviço dos grandes interesses económicos. "Continua a defender austeridade e as reformas estruturais - nomeadamente ao nível do mercado de trabalho e das empresas públicas, pondo em causa o acesso - em equidade, aos direitos conquistados após décadas de luta", assegurou.

Depois de ser apresentado pela Comissão Europeia, o orçamento para 2016 terá ainda de ser negociado e aprovado pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho de Ministros da UE. 
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