Projecto nacional foi o grande vencedor de iniciativa anual patrocinada pela Comissão Europeia e que procura dar mostras de boas práticas no apoio aos pequenos negócios. Esta quinta-feira à noite, no Luxemburgo, na cerimónia em que foram considerados como o melhor dos exemplos do ano, entre as dezenas de candidaturas apresentadas pelos 28, o Presidente do IAPMEI confessou ter sentido que este era mesmo o ano de Portugal.

Ana Geraldes, no Luxemburgo

Não terá sido preciso "grande lata" à portuguesa para chamar a atenção de entendidos na matéria do empreendedorismo europeu e acabar por conquistar o júri. Mas se a base do projecto do Microempreendedorismo era boa, a história da venda de latas de conserva numa motorizada no Castelo de Lisboa melhor não podia ter agradado aos que viram na Miss Can - a empresa que representou o programa do município de Lisboa nos Prémios Europeus de Promoção Empresarial (EEPA) - uma imagem de um Portugal que acelera nos pequenos negócios com visão.

Aplausos para a capacidade criativa portuguesa e o espírito de mãos à obra não são uma novidade entre parceiros europeus que, ano após ano, voltam a competir pelo reconhecimento da melhor ideia posta em prática para fazer crescer as Pequenas e Médias Empresas Europeias.

Os Prémios de Promoção do Empreendedorismo (EEPA) são talvez a melhor prova do que se pretende - incentivar a actividade económica em nichos de mercado que constituem, no entanto, uma valiosa contribuição para a economia da União Europeia; fazer com que esse objetivo europeu esteja bem presente é um outro fator vital, a ideia é ir lá para fora contar o que cá dentro a experiência resultou.

E em nove anos de uma iniciativa que decorre no quadro da Semana Europeia das PMEs, no programa do semestre da presidência da UE (este ano no Luxemburgo) já houve tempo para dar que falar pela estratégia de internacionalização dos vinhos do Douro e para dar nas vistas pela forma como as exportações de calçado surgiram como a indústria mais sexy do mundo. No ano passado, uma menção honrosa para o FAZ - ideias de origem portuguesa da Gulbenkian fez crer os responsáveis pela seleção das candidaturas nacionais - um processo que antecede a avaliação do júri da Comissão Europeia, Comité das Regiões e Eurocomércio - que seria uma questão de oportunidade.

A aposta foi ganha. A escolha do caso de sucesso do Microempreendedorismo de Lisboa venceu o Grande Prémio do Júri que distinguiu o trabalho junto de potenciais novos empresários para que conseguissem obter financiamento e avançar para a criação de negócios próprios. De 2013 para cá, o recurso ao programa que é municipal - faz parte da Câmara de Lisboa - deu origem a umas 50 empresas, 27 financiadas, 100 empregos e mais de 500 conversas. Porque o financiamento não se esgota na garantia de dinheiro, o acompanhamento conta como tão ou mais vital.

Agora, conta ainda mais a visibilidade que alcançam as entidades envolvidas e até os próprios pequenos negócios que despertam a atenção de outros países europeus o que mexe com a economia num sentido positivo.

Particularmente satisfeito, o Presidente do IAPMEI, Miguel Cruz, disse à SIC que mais do que premiar o mérito, este reconhecimento é importante para a posição de Portugal nos contactos com Bruxelas: "o que nós precisamos cada vez mais, até na nossa relação com a Comissão Europeia, mais do que falar de empreendedorismo, é de exemplos, mostrar o que de concreto se vai fazendo. Além de importante, é algo que conseguimos de exposição neste tipo de eventos."

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