Os produtores de leite do norte do país consideram que a retoma no setor ainda não aconteceu, afirmando que estão "no fundo do poço" e a viver "com muitas dificuldades", afirmou hoje o presidente da Associação de Produtores de Leite de Portugal (APROLEP).

"Penso que ainda estamos no fundo do poço e não vejo que os preços possam descer ainda mais, pois caso aconteça a atividade deixa de ser sustentável", disse Jorge Oliveira, afirmando que continuam a faltar medidas de fundo que apoiem os produtores."Mas também não estamos a ver a verdadeira retoma chegar", completou o líder da APROLEP, à margem de um seminário com o tema "Produção de Leite, que futuro?", realizado em Vila do Conde.

Jorge Oliveira reconheceu, ainda assim, que desde o início do ano tem havido "um aumento muito pequeno no preço de leite pago ao produtor", mas tem indicações de que, nos próximos meses, possa haver "uma nova descida".

"Não percebemos muito bem porquê, mas dizem-nos que há muito 'stock' de leite em pó que terá de ser escoado, e que, com isso, os preços voltarão a descer", partilhou.

Para o presidente da APROLEP os produtores "já estão no limite", lembrando que "há muito que as receitas não cobrem as despesas" forçando os agricultores "a endividarem-se ainda mais para poderem aguentar".

No entanto, e no entender de Jorge Oliveira, há "sinais positivos" que dão alguma esperança, nomeadamente na questão da rotulagem com denominação de origem do leite.

"Foi algo que a União Europeia aprovou recentemente e que nos vai ajudar, porque sabemos que os consumidores, nomeadamente os portugueses, querem saber a origem do leite que consomem", vincou.

Ainda assim, e segundo Jorge Oliveira, "a implementação de toda burocracia envolvendo a rotulagem poderá demorar", sendo necessárias outras medidas para revitalizar o setor.

"A Indústria, por exemplo, tem de acordar para o mercado, estar mais atenta àquilo que os consumidores pedem e estão a comprar, apostando seja no leite embalado, no queijo ou nos iogurtes", analisou.

Lusa


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